1110. CASTLE - EVIL REMAINS

Em 2009, em San Francisco nos Estados Unidos, o guitarrista/vocalista Mat Davis e a baixista/vocalista Elizabeth Blackwell seguiram o mesmo caminho de diversos outros músicos daquele país e uniram-se para a criação do Castle, uma banda que apresentasse em sua sonoridade uma boa mistura entre o Heavy Metal tradicional e o Doom Metal, trazendo nas temáticas de suas letras muita lisergia - como várias bandas de Stoner fizeram nesse período - mas, principalmente, a urgência e o suspense dos clássicos filmes de horror lançados entre os anos 1960 e 1980. 
Com seis álbuns de estúdio já lançados, sendo Evil Remais (Hammerheart Records, 2024) o mais recente desses, o Castle apresenta - além da óbvia boa música - como um dos diferenciais mais interessantes de seu som, principalmente quando a relacionamos com à quase totalidade das outras bandas norte americanos do estilo,  o fato de contar com duas vozes em grande parte de suas músicas (e não apenas em refrões ou passagens espécificas e duetos). Mat traz uma carga mais pesada e sombria, ao impor um timbre e uma forma de cantar mais agressiva, que o aproxima dos patronos do estilo nos EUA, como o Trouble, St. Vitus e Pentagram, já Liz exibe uma clara teatralidade na sua forma de cantar, o que  impõe uma maior aproximação com as bandas de Heavy Metal e Occult Metal/Rock que trazem em suas vocalistas papéis de narradoras ou intérpretes de histórias sombrias. 
A preocupação com o instrumental ao entregar, em seus discos, grandes riffs e uma ótima cozinha - que teve aqui as contribuições do baterista Mike Cotton e do percusionista Jesse Gander-, junta-se a citada "mistura" dos dois estilos de cantar, mesmo que em Castle Remains essa condição nem chegue a ser tão presente. Liz Blackwell aparece aqui como a vocalista principal, cantando o disco praticamente inteiro sem muitas intervenções de Mat Davis. Mesmo assim, essa característica, quando aparece, continua sendo um delicioso diferencial do som dos americanos e, proporciona a quem está ouvindo (principalmente bruxas e bruxos de primeiro ritual) deliciosas sensações que geram expectativas distintas que no final são correspondidas. 
Escutar a abertura de Evil Remains, com a pesada Queen Of Dead é, além de parecer um mergulho direto em um "pesadelo" sonoro, é uma apresentação direta a Elizabeth, que conduz as histórias que vem a seguir, tendo como destaques as ótimas Nosferatu Nights, Deja Voodoo, a faixa título, 100 EyesSheCold Grave. Grande álbum!

Tracklist
01. Queen Of Death
02. Nosferatu Nights
03. Deja Voodoo
04. Evil Remains
05. Black Spell
06. 100 Eyes
07. She
08. Cold Grave

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