564. DEADLY FATE - SHINE AGAIN
A apreciação das artes, aqui mais especificamente a música, não
necessariamente se restringe a alguma fórmula específica ou até mesmo
a qualidade do material em si. Vários outros fatores fazem-nos gostar ou
não de um determinado tipo de som (e/ou banda), entre eles estão o momento em
que se escuta, as companhias que a apresentam, uma ou outra música mais
diferenciada com mais qualidade ou que sirva como trilha para algum tema que
nos atrai e, obviamente, a nostalgia.
É fato que, o tempo, a tudo transforma, e nossos gostos musicais também
podem ser incluidos nessas transformações quando praticamos ativamente a ação
de escutar, conhecer, pesquisar. A bagagem adquirida pelo acúmulo de
informações acaba nos tornando mais exigentes, intolerantes às mudanças
ou, como no meu caso, aberto ao passado, presente e futuro em proporções
bastante parelhas. Gostar do "novo" sem compará-lo com o
"velho" é, a nosso ver, uma forma de respeitar o presente das bandas
que desejam ir além de seus sons de origens, colocando em prática suas próprias
experiências e transformações ocasionadas pelo acúmulo de conhecimentos,
estudos e o desejo de experimentar.
Dentro dessa perpectiva, volta a escutar o primeiro álbum lançado pela
banda de Heavy/Power Metal potiguar (Rio Grande do Norte, Nordeste, Brasil)
Deadly Fate, que formada em 1990 conseguiu lançar seu primeiro full lenght
apenas uma década depois, mas apresentando na bagagem demos-tapes e
participações em split albuns e coletâneas. Gravado de forma totalmente
independente e em estúdio próprio pelo vocalista/guitarrista Oruam Mauro,
o baixista Marcos Flávio, o baterista Wilberto Amaral e o também guitarrista
Onofre Neto, Shine Again (2000) é um puro representante de seu
período. Apresentando em suas composições todas as principais características
das bandas de Power Metal Melódico internacionais e nacionais do período, como
na inclusão de passagens instrumentais mais elaboradas, músicas épicas e
bastante ambiciosas contendo orquestrações e muitos refrões acompanhados de
corais.
Então, Shine Again, além de mostrar com muita qualidade o
som que eu mais acompanhava durante aquele período, era tocado por uma banda da
minha região e que eu inclusive já tinha visto ao vivo em 1998. O álbum de
estreia do Deadly Fate pode ser marcado como datado (apesar de que o estilo
parece estar ressurgindo e ganhando força nos últimos anos), mas não deixa em
nenhum momento de ser um disco de surpreendente e ímpar qualidade dentro de
nossa região e, para o período, até para nosso país já que na época de seu lançamento
o álbum foi aclamado por muitos como um dos melhores do ano, abrindo as portas
para que o quarteto abrisse vários shows internacionais para nomes como Blind
Guardian, Paul Di'Anno e Blaze Bayley, Stratovarius, Tim Owens etc.
Para quem não tem restrições
ao estilo e acompanha bandas de Heavy nacionais, é só acessar o material (disponível em plataformas de streaming) e
se divertir e aproveitar a nostalgia com grandes temas como Shine Again,
Power Of God e a sensacional Excalibur (melhor música da banda) e uma série de músicas em versões demos (em ótima qualidade) que aparecem aqui como bônus.
Recomendamos.
Tracklist
01. Excalibur
02. Shine Again
03. The Time Took It Away
04. Power of God
05. Mortal Fado
06. Strings Poem
07. Heavy Metal Moonlight (demo
version)
08. Death's Warning (demo
version)
09. Rich In Spirit (demo version)
10. I'm A Light (demo version)
11. Goddess Of Greece (demo
version)
Álbum Completo
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