1111. ALICE COOPER BAND - THE REVENGE OF ALICE COOPER

É surpreendente constatar que um dos melhores álbuns lançados neste profícuo ano de 2025 venha de uma banda tão veterana quanto a Alice Cooper Band. Apesar de bons discos — bastante acima da média, inclusive — lançados mais recentemente, é maravilhoso termos em mãos, neste ano de tantos discos incríveis, um álbum da “Tia Alice” que realmente se aproxima, em sonoridade e qualidade, dos clássicos do início da década de 1970.
A qualidade daquela sequência absurda de discos — e aqui falamos de gigantes como Love It To Death, Killer, School’s Out e Billion Dollar Babies — resultou de uma sinergia raramente vista, estabelecida entre o vocalista Vincent Damon Furnier (vulgo Alice Cooper), o baterista Neal Smith, o baixista Dennis Dunaway, os guitarristas Michael Bruce e Glen Buxton, além do genial produtor Bob Ezrin, provavelmente o maestro por trás dessa brilhante companhia de teatro e orquestra.
O afastamento de Vincent desses músicos em 1974 e a diminuição da atuação de seu produtor, amigo, compositor e parceiro de estúdio (Ezrin é tudo isso e muito mais, não apenas na carreira de Alice Cooper), em alguns álbuns gravados entre os anos 1980 e 2000, renderam bons momentos à trajetória do vocalista — principalmente no aspecto comercial, graças ao seu icônico visual sombrio e caricato, além de discos e músicas que se saíram muito bem nas rádios. No entanto, criativamente, ficaram muito aquém do potencial e do brilhantismo sonoro daquele período mágico dos anos 1970.
Em 2011, foi dado um primeiro passo para o retorno: a gravação de Welcome 2 My Nightmare, a continuação direta do primeiro disco solo do vocalista. O álbum trouxe novamente uma maior participação de Bob Ezrin no processo criativo e, sobretudo, as aguardadas primeiras gravações de Vincent com seus antigos parceiros Dennis Dunaway, Neal Smith e Michael Bruce. Essa parceria foi retomada em outros dois álbuns solo já citados — Paranormal (2017) e Detroit Stories (2021) — até que, em 2024, Vincent anunciou o retorno de toda a Alice Cooper Band (com a ausência física de Glen Buxton, falecido em 1997) e a gravação de seu oitavo álbum de estúdio, após um hiato de impressionantes cinquenta e um anos.
Lançado internacionalmente pela earMusic e licenciado no Brasil pela Shinigami Records, The Revenge Of Alice Cooper (2025) é provavelmente tudo o que os fãs saudosos da Alice Cooper Band esperavam ouvir em um álbum atual. A produção de Bob Ezrin é novamente um destaque: limpa, coesa e sempre cuidadosa para evitar que as composições soem datadas, mesmo sendo um resgate incontestável do estilo praticado pelos músicos entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970.
The Revenge Of Alice Cooper soa exatamente como um disco de rock dos anos 2000, mas com um inequívoco resgate da energia, da inocência, da ironia social, do clima de filmes de terror e suspense, e daquele “descompromisso fingido” característico de seus músicos, mesmo aqui já estando, todos eles, próximos dos 80 anos de idade. Alice Cooper, como era de se esperar, é um dos grandes destaques do álbum e é absolutamente impressionante como sua voz continua firme e perfeita para o estilo. Ao seu lado, brilha Michael Bruce, com riffs e solos marcantes, acompanhado pelas contribuições de Gyasi Heus e Rick Tedesco nas guitarras, substituindo o amigo Glen Buxton — que, simbolicamente, também está presente no disco através de gravações inseridas em faixas como Black Mamba, What Happened To You (uma emocionante homenagem ao próprio) e Return Of The Spiders 2025. Essas músicas, junto a outras como Wild Ones,  Blood On The Sun, Crap That Gets In The Way Of Your Dreams e Famous Face, destacam-se como as melhores composições do álbum.
Por fim, é impossível deixar de ressaltar o quanto é incrível perceber que, após mais de cinco décadas afastados, esses músicos conseguiram reunir-se para compor um disco que em nenhum momento soa excessivamente retrô ou transmite a sensação de mera cópia do material gravado naquele período. As referências existem — Black Mamba, Kill The Flies e Money Screams são claros exemplos —, circulam por todo o álbum e, obviamente, são propositais. Mais ou menos diretas, todas cumprem a função de mostrar que temos de volta a mesma banda, ainda com muito a entregar.

Tracklist
01. Black Mamba
02. Wild Ones
03. Up All Night
04. Kill The Flies
05. One Night Stand
06. Blood On The Sun
07. Crap That Gets In The Way Of Your Dreams
08. Famous Face
09. Money Screams
10. What A Syd
11. Intergalactic Vagabond Blues
12. What Happened To You
13. I Ain't Done Wrong
14. See You On The Other Side
Bonus Tracks
15. Return Of The Spiders 2025
16. Titanic Overunderture

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